A passagem está comprada, o roteiro começa a ganhar forma, e a saúde costuma ser a última coisa em que a gente pensa — até algo dar errado longe de casa. Cuidar da saúde em viagens internacionais antes de embarcar evita sustos que podem estragar a viagem inteira, de uma vacina esquecida a um remédio que ficou na bagagem despachada. A boa notícia é que a maior parte desses cuidados é simples e se resolve com alguma antecedência. Neste guia, você vê o que fazer, semanas antes de viajar, para chegar ao destino tranquilo e protegido.
Comece pela consulta médica e pelas vacinas
O primeiro dos cuidados antes de viajar para o exterior é procurar orientação médica com antecedência — de preferência, quatro a seis semanas antes da viagem. Uma consulta em uma clínica do viajante ajuda a identificar quais vacinas e cuidados o seu destino exige, considerando o seu histórico de saúde.
Esse também é o momento certo para quem tem condições crônicas, como diabetes, hipertensão ou asma, deixar tudo em ordem: renovar receitas, ajustar a quantidade de medicamentos e pedir ao médico um resumo do quadro, que pode ser útil em um atendimento no exterior. Uma ida ao dentista antes de viagens longas também evita a dor de cabeça de lidar com um problema dentário fora do país.
A vacina mais associada a viagens internacionais é a da febre amarela. Vários países exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) de quem chega de áreas com risco da doença, como o Brasil. Aqui, o CIVP é emitido gratuitamente pela Anvisa, hoje de forma digital, pelo aplicativo Meu SUS Digital ou pelo gov.br.
Há um detalhe que não dá para ignorar: a vacina da febre amarela deve ser tomada, no mínimo, 10 dias antes da viagem. Esse prazo é uma regra internacional, ligada ao tempo que o corpo leva para criar imunidade. A dose tem validade vitalícia, então basta uma vez, mas o certificado não sai na hora — quem deixa para a véspera corre o risco de embarcar sem ele.
Como as exigências mudam e variam conforme o país, incluindo escalas e conexões, confirme sempre a regra atual do seu destino junto à Anvisa e às autoridades locais antes de viajar. Dependendo do lugar, podem ser recomendadas outras vacinas, como hepatite, febre tifoide ou meningite.
Medicamentos: o que levar e como transportar
Quem usa medicamentos de uso contínuo precisa de um cuidado extra. Leve quantidade suficiente para toda a viagem, e um pouco a mais, para o caso de imprevistos ou atrasos. O ideal é transportá-los na bagagem de mão, nas embalagens originais, para não correr o risco de ficar sem eles se a mala despachada se perder.
Vale também levar a receita médica, se possível traduzida para o inglês, já que alguns medicamentos comuns no Brasil são controlados ou até proibidos em outros países. Uma declaração do médico ajuda a evitar problemas na alfândega. Na dúvida sobre um remédio específico, confirme as regras do país de destino.
Além dos seus medicamentos, monte um pequeno kit com itens básicos: analgésico, antitérmico, remédio para enjoo, sais de reidratação, curativos e o que costuma usar no dia a dia. Se quiser organizar tudo com calma, o guia O que levar na mala para uma viagem internacional ajuda a não esquecer nada importante.
Seguro viagem: por que não abrir mão
Um bom seguro viagem é um dos cuidados de saúde em viagens que mais evita dor de cabeça. Em muitos países, um atendimento médico ou uma internação custam valores altíssimos para quem paga do próprio bolso — e é exatamente isso que o seguro cobre.
Além de recomendável em qualquer viagem internacional, o seguro é obrigatório em alguns destinos. Os países do espaço Schengen, na Europa, por exemplo, exigem um seguro com cobertura médica mínima para conceder a entrada. Antes de contratar, verifique se a apólice cobre despesas médicas e hospitalares e confirme qual o valor mínimo exigido pelo seu destino.
Guarde os dados do seguro e o número da central de atendimento em um lugar de fácil acesso, no celular e impresso. Na hora de uma emergência, ter essa informação à mão faz toda a diferença.
Cuidados no voo longo: circulação, hidratação e jet lag
Voos internacionais longos exigem atenção ao corpo. Ficar muitas horas sentado aumenta o risco de problemas de circulação, como a trombose. Para reduzi-lo, levante-se e caminhe pelo corredor de tempos em tempos, movimente as pernas e os pés no assento e beba bastante água. Quem tem fatores de risco pode conversar com o médico sobre o uso de meias de compressão.
A hidratação também ajuda contra o ressecamento provocado pelo ar da cabine. O jet lag, aquele descompasso ao cruzar vários fusos horários, é outro ponto. Ajudar o corpo a se adaptar — buscando luz natural no destino, ajustando os horários de sono aos poucos e evitando cochilos longos no primeiro dia — reduz o cansaço dos primeiros dias.
Depois de horas de viagem, a última coisa que você quer é lidar com transporte na chegada, ainda mais exausto e com o fuso trocado. Deixar o traslado do aeroporto reservado de antemão permite ir direto descansar. A Transpovia, por exemplo, oferece transfers privativos de e para o aeroporto que podem ser reservados com antecedência, o que ajuda quem chega cansado ou em horários difíceis a seguir logo para o hotel.
Como se manter saudável durante a viagem
Chegar bem é meio caminho; o resto é manter os cuidados no destino. Como se manter saudável durante uma viagem passa por hábitos simples, adaptados ao lugar.
A atenção à água e à comida é essencial em muitos destinos. Onde a água da torneira não é segura, prefira água engarrafada, inclusive para escovar os dentes, e desconfie de gelo e de alimentos crus.
Em regiões tropicais, os mosquitos são uma preocupação, por transmitirem doenças como dengue, zika e malária. Use repelente, prefira roupas que cubram a pele ao entardecer e, se o destino exigir, converse com o médico sobre a prevenção da malária antes de viajar. Não se esqueça também da proteção solar e de respeitar o próprio ritmo: dormir bem, hidratar-se e não lotar o roteiro ajudam o corpo a aguentar a viagem inteira.
Vale ainda dar ao corpo um tempo para se adaptar. Mudanças de altitude, clima e alimentação pedem alguns dias de ajuste, então evite exageros logo na chegada. Introduzir a comida local aos poucos, sobretudo pratos muito diferentes do que você está acostumado, reduz o risco de mal-estar. E, se pretende praticar atividades mais intensas, como trilhas em altitude ou mergulho, informe-se sobre os cuidados específicos antes de começar.
O que fazer se precisar de atendimento no exterior
Mesmo com todo o preparo, imprevistos acontecem — e saber como agir acalma. Guarde sempre à mão os dados do seguro viagem e o telefone da central de assistência, que costuma orientar para onde ir e, em muitos casos, cobre o atendimento diretamente.
Para sintomas leves, uma farmácia local pode resolver, embora os nomes dos medicamentos mudem de país para país. Para casos mais sérios, procure um serviço de urgência e acione o seguro o quanto antes. Vale anotar com antecedência o número de emergência do país de destino, que nem sempre é o mesmo do Brasil.
Leve consigo informações de saúde úteis: tipo sanguíneo, alergias, condições que tem e medicamentos que usa, de preferência também em inglês. Em uma emergência, esses dados agilizam o atendimento e evitam erros.
Perguntas frequentes
Quais vacinas preciso tomar para viajar ao exterior?
Depende do destino. A mais comum em viagens internacionais é a da febre amarela, que gera o CIVP exigido por vários países. O ideal é consultar uma clínica do viajante e verificar as exigências na Anvisa com semanas de antecedência, pois outras vacinas podem ser recomendadas.
Com quanto tempo de antecedência devo tomar a vacina da febre amarela?
No mínimo 10 dias antes da viagem, prazo necessário para que a imunização seja válida internacionalmente. A dose é única e vale para o resto da vida, mas o certificado não é emitido na hora, então não deixe para a última semana.
Seguro viagem é obrigatório?
Não em todos os destinos, mas é altamente recomendável em qualquer viagem internacional. Em alguns lugares é obrigatório: os países do espaço Schengen, por exemplo, exigem uma cobertura médica mínima para autorizar a entrada.
Posso levar meus remédios em uma viagem internacional?
Sim. Transporte-os na bagagem de mão, nas embalagens originais e com a receita, de preferência traduzida para o inglês. Como alguns medicamentos são controlados ou proibidos em certos países, confirme as regras do destino antes de viajar.
Antes de embarcar
Semanas antes da viagem, marque a consulta, verifique as vacinas e o CIVP, contrate o seguro e organize os medicamentos na bagagem de mão. Esses poucos cuidados, feitos com antecedência, são o que separa uma viagem tranquila de um problema sério longe de casa. Com a saúde bem resolvida, você fica livre para aproveitar o destino.

