A Guiana é vizinha do Brasil, mas pouca gente por aqui sabe como é viajar por lá. O país fala inglês, tem uma capital de casarões de madeira à beira do Atlântico e esconde uma floresta tão grande quanto a nossa Amazônia, com rios largos e cachoeiras gigantes quase sem turistas. Para quem gosta de viajar sem companhia, é um destino diferente e cheio de recompensas, desde que a viagem seja bem planejada. Neste guia, você vai conhecer as melhores cidades para viajar sozinho pela Guiana, o que cada uma oferece, como chegar saindo do Brasil e quais cuidados fazem a diferença no dia a dia. Seja sua primeira viagem solo ou mais um carimbo no passaporte, aqui você encontra informação prática para montar o roteiro com tranquilidade.
Guiana, Guiana Inglesa e Guiana Francesa
Muita gente ainda chama o país de Guiana Inglesa, nome que vem do período em que ele era colônia britânica. Desde a independência, em 1966, o nome oficial é Guiana, e a capital é Georgetown. Não confunda com a Guiana Francesa, que fica mais a leste, depois do Suriname, e é um território da França com capital em Caiena.
Na prática, isso muda bastante coisa. Na Guiana, a moeda é o dólar guianense, o trânsito segue pela esquerda e a língua oficial é o inglês, caso único na América do Sul. Nas ruas você também ouve o crioulo guianense, mas as pessoas falam inglês padrão com visitantes sem nenhum problema. Com um inglês básico já dá para resolver hotel, restaurante e transporte.
Documentos e entrada para brasileiros
Brasileiros não precisam de visto para visitar a Guiana a turismo ou negócios por até 90 dias. Diferente de vários vizinhos do Mercosul, o RG não basta. É preciso apresentar passaporte válido.
Outro ponto importante é a vacina contra a febre amarela. Como o Brasil é área de transmissão da doença, as autoridades guianenses exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, com a dose aplicada pelo menos dez dias antes da entrada no país. Emita o certificado com antecedência para não ter surpresa no embarque ou na fronteira.
Como chegar à Guiana saindo do Brasil
De avião
A principal porta de entrada é o Aeroporto Internacional Cheddi Jagan, com código GEO, em Timehri, a cerca de 41 quilômetros ao sul de Georgetown. O trajeto até o centro leva mais ou menos uma hora e pode demorar mais no horário de pico.
Saindo do Brasil, uma opção comum é voar com a Copa Airlines e fazer conexão na Cidade do Panamá, que tem voos diretos para Georgetown. Muitos desses voos chegam no fim da tarde ou à noite, e isso pesa bastante para quem viaja sozinho. Desembarcar cansado, com toda a bagagem, num país desconhecido e já no escuro é o momento mais vulnerável da viagem.
Transporte para o aeroporto reservado antes de sair de casa resolve essa parte. O motorista espera na saída do desembarque com seu nome numa placa, o valor já está combinado e você segue direto para o hotel sem negociar nada na porta do terminal. Dá para organizar o Transporte para o aeroporto ainda no Brasil e viajar com essa preocupação resolvida.
Por terra, pela fronteira de Roraima
Quem mora no Norte tem outra opção. Bonfim, em Roraima, fica ligada a Lethem, cidade guianense, por uma ponte sobre o rio Tacutu. Muitos brasileiros cruzam a fronteira para fazer compras em Lethem, mas seguir até Georgetown por terra é outra história. A estrada atravessa a savana do Rupununi e a floresta, tem longos trechos de terra e a viagem costuma durar muitas horas, passando por Linden antes de chegar à costa. Também existem voos domésticos entre Lethem e Georgetown, que poupam um dia inteiro de estrada.
As melhores cidades para viajar sozinho pela Guiana
Quase toda a população vive na faixa litorânea e às margens dos grandes rios. Estas quatro cidades são as que melhor funcionam para quem viaja sem companhia, seja como base, seja como parada no caminho.
Georgetown, a base de toda viagem
Georgetown é o ponto de partida natural. É a capital, tem a maior oferta de hotéis e restaurantes e concentra as agências que organizam passeios para o interior. Para quem viaja sozinho pela primeira vez, não existe base melhor.
A cidade tem um charme meio desgastado que vai conquistando aos poucos. Muitos prédios coloniais são de madeira, e a Catedral de São Jorge está entre as igrejas de madeira mais altas do mundo. O Jardim Botânico rende uma manhã tranquila e ainda tem peixes-boi vivendo nos canais. O Seawall, o paredão que protege a cidade do Atlântico, enche de famílias nos fins de tarde de sábado e domingo. O Museu Nacional da Guiana e o Museu de Antropologia Walter Roth ajudam a entender a mistura de heranças indígena, africana, indiana, chinesa e europeia do país.
Em Georgetown, a regra é aproveitar o dia e passar a noite perto do hotel. O governo dos Estados Unidos classifica a Guiana no nível 3 de alerta por causa da criminalidade e aponta Agricola, Tiger Bay, Albouystown e o entorno do Mercado Stabroek como áreas que visitantes devem evitar. A torre do relógio do mercado é um dos cartões-postais da cidade, mas o ideal é vê-la de dentro do carro. Escolha um hotel em região bem avaliada, pergunte à recepção quais ruas eles indicam e use motorista conhecido sempre que sair.
Linden, a cidade do caminho para o interior
Linden é a segunda maior cidade da Guiana e fica às margens do rio Demerara, no interior. Cresceu em volta da mineração de bauxita e continua sendo uma cidade de trabalhadores, sem grandes atrações turísticas. Para o viajante curioso, é justamente esse o atrativo, ver a rotina real do país longe da capital.
Para o brasileiro, Linden tem um papel especial. Quem chega pela estrada de Lethem passa obrigatoriamente por ela antes de alcançar a costa, e a cidade funciona bem como parada para descansar depois de tantas horas de viagem. No sentido contrário, a rodovia que liga Linden ao litoral passa perto do aeroporto Cheddi Jagan, então é possível ir direto do desembarque para lá sem enfrentar o trânsito de Georgetown. Há trechos longos com pouca estrutura, por isso vale viajar de dia e com veículo reservado.
Bartica, a porta de entrada da selva
Bartica fica no encontro de três grandes rios, o Essequibo, o Mazaruni e o Cuyuni. Há gerações a cidade recebe garimpeiros de ouro e diamante, e muitos brasileiros que trabalham no interior passam por ali. O resultado é uma cidade com cara de fronteira, onde não é raro ouvir português na rua. Para quem viaja sozinho e busca aventura, é um dos lugares mais marcantes do país.
Chegar já é um passeio. Primeiro se vai de carro de Georgetown até Parika, na margem do Essequibo, e de lá se pega uma lancha rápida rio acima. Em Bartica, dá para tomar banho nas praias de rio, circular entre as ilhas e visitar as ruínas do antigo forte holandês de Kyk-Over-Al, numa ilhota próxima.
O trecho de carro até Parika é o que mais merece atenção. As lanchas têm horários próprios, e um motorista que conhece o porto evita espera e correria. Faça o percurso todo com luz do dia, na estrada e no rio.
New Amsterdam, calma e história no Berbice
New Amsterdam é a principal cidade da região de Berbice, a leste de Georgetown, perto da foz do rio Berbice. Foi fundada no período colonial holandês e ainda conserva casas de madeira, igrejas antigas e um ritmo bem mais lento que o da capital.
É uma boa escolha para quem quer alguns dias de sossego. A estrada pelo litoral passa por arrozais, vilarejos, mesquitas e templos hindus, reflexo da grande população de origem indiana dessa parte do país. No fim do caminho, a travessia é feita pela ponte sobre o rio Berbice, que cobra pedágio. Conte com algumas horas de estrada saindo de Georgetown e um pouco mais saindo do aeroporto.
Segurança na prática para quem viaja sozinho
Viajar sozinho pela Guiana pede mais cuidado do que um fim de semana em cidades turísticas do Brasil, mas os hábitos são conhecidos de qualquer brasileiro acostumado a andar atento.
Anoitece por volta das seis da tarde o ano todo, por causa da proximidade com a linha do equador. Planeje qualquer saída já sabendo como vai voltar.
Use caixas eletrônicos dentro de bancos, hotéis ou shoppings, em horário comercial, e evite sacar valores altos de uma vez.
Deixe joias e relógios caros em casa e não ande com o celular na mão em ruas movimentadas.
Compartilhe o roteiro com alguém de confiança e avise sempre que trocar de cidade. Guarde também o contato da Embaixada do Brasil em Georgetown.
Para passeios na selva e nos rios, contrate operadoras reconhecidas, que cuidam de licenças, barcos e voos e tiram boa parte da incerteza de viajar sozinho por áreas remotas.
Kaieteur, o passeio que vale a viagem
Kaieteur não é uma cidade, mas nenhum roteiro pela Guiana fica completo sem ela. É uma das cachoeiras de queda única mais potentes do mundo, com cerca de 226 metros de altura, no meio de uma floresta protegida. O que mais impressiona é o silêncio. Muitas vezes você divide os mirantes com meia dúzia de pessoas.
O jeito mais simples de ir é num passeio de um dia em avião pequeno saindo de Ogle, o aeroporto Eugene F. Correia, que fica na zona leste de Georgetown e concentra os voos domésticos. Para quem viaja sozinho, o formato é perfeito. A agência cuida de tudo, um guia do parque acompanha o grupo na trilha e você acaba conhecendo outros viajantes. O tempo pode atrasar ou cancelar os voos, então deixe um dia livre no roteiro se Kaieteur for prioridade.
Por que reservar carro particular entre as cidades
O transporte público na Guiana funciona com micro-ônibus numerados, parecidos com as vans de lotação do Brasil. São baratos e frequentes, mas vivem cheios, não têm espaço para mala e saem quando lotam. Dirigir por conta própria é possível, só que a mão inglesa, as estradas irregulares e a noite cedo complicam bastante a vida de quem não conhece o país.
Por isso muitos viajantes solo preferem carro particular nos trechos mais importantes. Aeroporto até Linden, Georgetown até New Amsterdam ou a capital até o porto de Parika são percursos longos o bastante para que conforto e pontualidade façam diferença. Você sai no horário que quiser, para quando precisar e não perde a bagagem de vista. E sempre tem alguém sabendo para onde você vai e a que horas deve chegar, o que traz muita tranquilidade quando não há companhia de viagem.
A Transpovia permite reservar esses traslados com antecedência, com preço definido na reserva e motoristas profissionais. Enquanto monta o roteiro, você pode conferir as cidades da Guiana atendidas e deixar cada deslocamento organizado antes de embarcar.
Roteiro de seis dias para a primeira viagem solo
Este roteiro funciona bem para quem chega de avião e quer ver o essencial com folga.
Dias 1 e 2 em Georgetown. Chegada com traslado reservado, descanso e passeio pela Catedral de São Jorge, pelo Jardim Botânico, pelos museus e pelo Seawall no fim da tarde.
Dia 3 em Kaieteur. Voo de um dia saindo de Ogle, com volta a Georgetown à tarde.
Dias 4 e 5 em Bartica. Carro até Parika pela manhã, lancha até Bartica e tempo livre para as praias de rio e a visita a Kyk-Over-Al.
Dia 6 de volta. Retorno a Georgetown e traslado para o aeroporto com antecedência.
Com mais tempo, acrescente duas noites em New Amsterdam para conhecer o litoral leste. Se a ideia for voltar ao Brasil por Roraima, inclua uma parada em Linden antes de seguir para Lethem.
Perguntas frequentes
É seguro viajar sozinho pela Guiana?
Dá para viajar sozinho pela Guiana com segurança, mas o destino exige mais atenção do que muitos outros da região. Os Estados Unidos classificam o país no nível 3 de alerta por causa da criminalidade, concentrada principalmente em alguns bairros de Georgetown. Quem fica em hotéis bem avaliados, evita circular por áreas perigosas e reserva os traslados com antecedência costuma ter uma viagem sem problemas. Os passeios organizados para o interior também são uma forma segura e sociável de conhecer o país.
Qual a melhor cidade da Guiana para quem viaja sozinho pela primeira vez?
Georgetown é a melhor escolha para a primeira viagem solo. Tem a maior oferta de hospedagem, fica perto dos dois aeroportos e é o ponto de partida de quase todos os passeios. Depois de alguns dias por lá, Bartica é ideal para quem busca aventura, enquanto New Amsterdam agrada quem prefere um clima tranquilo e histórico.
Como ir do aeroporto Cheddi Jagan até Georgetown?
O aeroporto fica em Timehri, a cerca de 41 quilômetros ao sul da capital, e o trajeto leva em média uma hora. Há táxis oficiais na saída do terminal, mas muitos viajantes solo preferem um traslado particular reservado, principalmente quando chegam à noite. O motorista espera no desembarque, o preço já está definido e você não precisa procurar transporte num lugar desconhecido depois que escurece.
Conclusão
A Guiana recompensa quem planeja bem. Georgetown oferece uma base confortável, com história, jardins e acesso fácil à floresta. Linden mostra o dia a dia do interior e serve de parada para quem vem de Roraima, Bartica leva ao coração dos grandes rios e New Amsterdam traz calma e arquitetura colonial no litoral leste. Some um voo até Kaieteur e você terá conhecido um lado da América do Sul que pouquíssimos brasileiros já viram.
Aproveitar as melhores cidades para viajar sozinho pela Guiana depende principalmente da logística. Chegue de dia sempre que puder, mantenha os passeios bem planejados e deixe resolvidos o traslado do aeroporto e os trechos longos de estrada. Com um carro particular reservado pela Transpovia antes do embarque, sobra cabeça para curtir a viagem.
"Cheguei de noite sem conhecer ninguém, e ver o motorista me esperando com meu nome na placa tirou todo o nervosismo na hora."

