Férias em família costumam render as melhores lembranças, mas o caminho até o destino nem sempre ajuda. Fila no raio-x, mala que não fecha, criança com sono no portão de embarque e, no fim de um dia longo, ainda a busca por um táxi no desembarque. Saber como viajar com crianças tem menos a ver com controlar tudo e mais com se preparar para os momentos que costumam dar errado. Neste guia, você encontra dicas para viajar com crianças de todas as idades, da compra das passagens aos primeiros dias no destino, incluindo os documentos e autorizações que muita gente só descobre na hora do check-in.
O que resolver antes de comprar as passagens
O horário do voo faz diferença. Com bebês e crianças pequenas, voos no começo da manhã ou que coincidem com a soneca da tarde costumam ser bem mais tranquilos. Voos noturnos funcionam para algumas famílias e viram pesadelo para outras, então vale pensar no perfil do seu filho antes de escolher.
Se o orçamento permitir, prefira voos diretos. Cada conexão significa desembarcar, atravessar outro terminal, esperar de novo e correr o risco de perder o próximo voo. Quando a escala for inevitável, escolha uma com tempo suficiente para ir ao banheiro, fazer um lanche e caminhar sem pressa.
Marque os assentos logo na compra. Nas tarifas mais básicas, a família nem sempre fica junta automaticamente. E compare o preço final com bagagem: a passagem barata deixa de ser vantagem quando é preciso pagar malas para quatro pessoas.
Documentos e autorizações para menores de idade
No Brasil, as regras para viagem de crianças e adolescentes são mais detalhadas do que em muitos países. Vale conferir tudo com antecedência, porque um papel esquecido pode impedir o embarque.
Viagens nacionais
Para embarcar em voos domésticos, a criança precisa apresentar documento de identificação, como RG ou certidão de nascimento (original ou cópia autenticada). Quando viaja com pai, mãe ou responsável legal, não é preciso autorização.
A situação muda quando menores de 16 anos viajam sem os pais. Nesse caso, é necessária autorização dos pais, com firma reconhecida, ou judicial, exceto quando a criança está acompanhada de parentes até o terceiro grau, como avós ou tios, com documento que comprove o parentesco.
Viagens internacionais
Para sair do país, cada criança precisa do próprio passaporte, inclusive bebês. Quando o menor viaja com apenas um dos pais, é preciso levar a autorização do outro, com firma reconhecida, ou ter essa autorização registrada no passaporte no momento da emissão, o que evita levar papel extra a cada viagem.
O destino também tem suas exigências. Quem planeja viajar com crianças no Canadá precisa verificar se a família vai precisar de visto canadense ou se pode usar a autorização eletrônica de viagem (eTA), o que depende do histórico de vistos de cada pessoa. Essa exigência vale para as crianças também.
Mala de mão pensada para imprevistos
A bagagem de mão precisa dar conta de um dia inteiro de atraso sem depender da mala despachada. Uma lista que funciona:
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Uma troca completa de roupa para cada criança e uma camiseta extra para você
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Fraldas e lenços umedecidos para o dobro do tempo previsto
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Lanches que a criança já conhece e uma garrafinha vazia para encher depois do raio-x
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Leite, papinhas e remédios de uso contínuo, além de um antitérmico
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Um ou dois brinquedos novos ou esquecidos há algum tempo
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Fones infantis e desenhos ou jogos baixados no tablet
Em voos internacionais, líquidos na bagagem de mão ficam limitados a 100 ml por frasco, mas leite e alimentos de bebê podem passar em quantidade compatível com a viagem. Separe esses itens e avise a equipe da inspeção.
Dicas para viajar de avião com crianças
No aeroporto
Chegue com mais folga do que chegaria sozinho. Despachar malas, fechar o carrinho, passar pelo raio-x e parar no banheiro leva bem mais tempo com crianças. Pessoas com crianças de colo têm direito a atendimento prioritário, e as companhias aéreas costumam chamar famílias com crianças pequenas para embarcar antes.
Na maioria das companhias, o carrinho pode ir até a porta do avião sem custo extra. Você usa no terminal e recebe de volta na saída da aeronave ou na esteira, conforme a empresa. Uma capa protetora ajuda a evitar danos.
Durante o voo
A mudança de pressão na decolagem e no pouso é a principal causa de choro a bordo. Amamentar, oferecer mamadeira ou chupeta nesses momentos ajuda o bebê a engolir e aliviar os ouvidos. Crianças maiores podem beber água ou mastigar algo.
Não entregue o tablet logo no início. Comece com livrinhos, adesivos ou a vista da janela e deixe as telas para quando a paciência acabar. Com o aviso de cintos apagado, uma volta pelo corredor ajuda quem não consegue ficar parado.
Como viajar com crianças em cada fase
Bebês
Bebês de poucos meses costumam ser mais fáceis do que parece: dormem bastante e não precisam se movimentar. Crianças com menos de dois anos podem viajar no colo de um adulto, geralmente pagando uma tarifa reduzida. Em voos longos, muitas companhias oferecem berços presos à parede da cabine, mas há poucas unidades e é preciso solicitar com antecedência.
De um a três anos
É a fase mais desafiadora. A criança quer andar, mexer em tudo e não entende por que precisa ficar sentada. Manter os horários de comida e sono parecidos com os de casa e levar o paninho ou o bichinho preferido faz diferença.
A partir dos quatro anos
Nessa idade, a viagem vira aventura. Dê à criança uma mochila só dela, explique o que vai acontecer no aeroporto e deixe que participe de pequenas escolhas, como o passeio do dia seguinte. Quem se sente parte do plano reclama bem menos.
Do desembarque ao hotel sem estresse
A chegada é o ponto fraco de muitas viagens em família. Todos estão cansados, ainda falta pegar as malas e descobrir como chegar à hospedagem. Encarar fila de táxi ou negociar preço com crianças exaustas não é o melhor jeito de começar as férias.
Reservar o transporte antes de sair de casa resolve esse problema. Com um transfer privativo do aeroporto, o motorista espera na saída, o veículo comporta a família, o carrinho e as malas, e você já sabe quanto vai pagar. Na Transpovia, dá para comparar e reservar transfers privativos com antecedência e escolher um carro do tamanho certo para o grupo.
Atenção à cadeirinha. As regras mudam de país para país, e nem todo táxi oferece assento infantil. Se não for levar a sua, peça no momento da reserva e informe a idade e o peso aproximado de cada criança.
Escolhendo o destino e o ritmo da viagem
Um bom destino para famílias combina deslocamentos curtos, logística simples e atividades que as crianças aproveitam. Praias calmas, parques e cidades fáceis de percorrer costumam funcionar melhor do que roteiros com muitas trocas de hotel.
Para quem quer viajar com crianças no México, resorts no Caribe mexicano e passeios a sítios arqueológicos e cenotes são opções populares entre famílias brasileiras. Antes de comprar as passagens, confira as exigências de entrada: o México voltou a pedir visto a brasileiros, com algumas exceções para quem tem vistos válidos de outros países, como o americano.
No dia a dia, planeje menos do que você acha que dá para fazer. Um passeio principal por dia, com piscina ou parquinho à tarde, rende mais do que um roteiro apertado. Uma hospedagem com cozinha e quarto separado também facilita as refeições e dá aos adultos um pouco de tempo livre à noite.
Perguntas frequentes
Criança precisa de autorização para viajar com um dos pais?
Em viagens nacionais, não. Em viagens internacionais, sim: o menor que viaja com apenas um dos pais precisa da autorização do outro, com firma reconhecida, ou da autorização registrada no passaporte.
Bebê de colo paga passagem?
Crianças com menos de dois anos que viajam no colo de um adulto normalmente pagam uma tarifa reduzida, cujo valor varia conforme a companhia e o tipo de voo. A partir dos dois anos, a criança precisa ter assento próprio.
Com quanto tempo de antecedência chegar ao aeroporto com crianças?
Uma boa referência é chegar cerca de duas horas antes em voos nacionais e três horas antes em voos internacionais. Com crianças, tudo leva mais tempo, do check-in à caminhada até o portão.
Conclusão
Viajar com os filhos nunca será tão rápido quanto viajar sozinho, mas pode ser muito mais leve do que parece. Boa parte do trabalho acontece antes da viagem: escolher bons horários, conferir documentos e autorizações, montar uma mala de mão preparada para imprevistos e deixar o transporte da chegada resolvido.
Com essa base pronta, sobra energia para o que importa. Alguns momentos difíceis vão acontecer, mas o que fica na memória é a viagem, não a fila do raio-x.
"Depois de um voo longo com duas crianças, sair do desembarque e já ter alguém nos esperando fez toda a diferença."

