Celular novo na mão, caixa aberta em cima da mesa e aquela dúvida que aparece logo de cara. Com o chip físico, era só tirar a gaveta e trocar de aparelho. Com o chip virtual não tem nada para tirar. A boa notícia é que entender como transferir eSIM para outro celular ficou bem mais fácil nos últimos anos, e na maioria dos casos você resolve tudo pelo próprio aparelho, sem fila em loja.
Neste guia você vai ver o passo a passo no iPhone e no Android, o que Claro, Vivo e TIM permitem hoje, como fazer a troca entre sistemas diferentes e o que muda quando o eSIM em questão é um plano de dados comprado para viagem.
Transferir eSIM não é portabilidade
Muita gente confunde as duas coisas, e vale separar logo no começo. Transferir o eSIM significa levar a mesma linha, da mesma operadora, para outro aparelho. Portabilidade é levar o seu número para outra operadora.
Um exemplo deixa claro. Sair de um iPhone antigo da Vivo para um Galaxy novo, continuando na Vivo, é transferência de eSIM. Sair da Vivo para outra empresa mantendo o mesmo número é portabilidade, com outro processo e outros prazos. Este guia trata só do primeiro caso.
Outra distinção importante é entre a sua linha do dia a dia e um eSIM de dados para viajar. A linha principal está ligada ao seu CPF e ao seu plano, então a operadora consegue mover o perfil de um aparelho para outro. O eSIM de viagem costuma funcionar com regras bem mais rígidas, e isso tem uma seção própria mais abaixo.
Se você tem parentes em Portugal ou vai passar uma temporada em Lisboa ou no Porto, vai ouvir falar em telemóvel no lugar de celular. O nome muda, a lógica não. Quem precisa transferir um eSIM para outro telemóvel segue os mesmos cuidados deste guia, e quem está planejando a viagem encontra ali os planos de dados por destino.
O que conferir antes de começar
Quase toda transferência que dá errado tem a ver com algum detalhe que podia ter sido checado antes. Separe cinco minutos para esta lista.
O celular novo precisa aceitar eSIM. Todos os iPhone a partir do XS e do XR têm eSIM, e a maioria dos Samsung Galaxy topo de linha e dos Google Pixel recentes também. Nos intermediários a situação varia bastante, e o mesmo modelo pode sair com ou sem eSIM dependendo do país. Se o aparelho veio de fora, confira a ficha técnica da sua versão.
O aparelho tem que estar desbloqueado. Um celular travado em outra operadora não aceita a sua linha, qualquer que seja o método.
Atualize os dois aparelhos. No iPhone, cada operadora exige uma versão mínima do iOS para a transferência rápida. No Android, a ferramenta do Google pede Android 12 ou mais recente, serviços do Google atualizados e bloqueio de tela configurado.
Deixe o celular antigo carregado, desbloqueado e perto do novo. A maioria dos métodos pede uma confirmação no aparelho antigo. Conecte o novo a um Wi-Fi estável, porque ele precisa baixar o perfil da linha.
Não apague o eSIM do celular antigo. Esse é o erro que mais dá dor de cabeça. Apagar o eSIM remove o perfil, e aí você pode precisar pedir um novo QR Code, refazer a validação no app ou ir até uma loja com documento. A recomendação mais segura é sempre transferir primeiro e apagar depois, se for o caso.
Como transferir eSIM para outro celular no iPhone
A Apple oferece o caminho mais tranquilo, chamado transferência rápida de eSIM. Ele funciona em dois momentos diferentes.
Durante a configuração inicial
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Ligue o iPhone novo e coloque ao lado do antigo.
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Siga o Início Rápido e entre com a sua conta Apple.
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Na tela de configuração do plano celular, escolha o número que você quer levar. Se a lista não aparecer, toque em Transferir de um iPhone por perto.
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No iPhone antigo, confirme a transferência. Se pedir, digite o código de verificação que aparece no novo.
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Aguarde a ativação, que costuma levar poucos minutos.
Quando termina, o iPhone antigo fica sem sinal da operadora. Isso é normal e mostra que deu certo.
Depois, pelos Ajustes
Pulou essa etapa ou configurou o aparelho como novo? Dá para fazer depois.
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No iPhone novo, abra Ajustes > Celular.
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Toque em Adicionar eSIM.
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Escolha Transferir de um iPhone por perto.
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Confirme no iPhone antigo ou digite o código mostrado no novo.
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Toque em Continuar e espere a linha ativar.
Se a opção não aparecer, a sua operadora provavelmente não liberou a transferência direta para a sua linha ou para o seu modelo. Nesse caso, peça um novo eSIM pelo app ou pela central e use a opção de QR Code em Ajustes > Celular > Adicionar eSIM.
Claro, Vivo e TIM no iPhone
A Claro foi a primeira grande operadora brasileira a liberar a transferência rápida no iPhone. Pelas regras atuais, o recurso funciona a partir do iPhone 11 com iOS 17.2 ou posterior, com os aparelhos próximos, Wi-Fi ligado e senha configurada. A Claro também oferece a transferência pelo app Minha Claro, que gera a instalação do eSIM no aparelho novo.
A Vivo veio em seguida e permite a transferência direta entre iPhones. Além disso, o App Vivo tem uma opção para levar o eSIM para outro aparelho, disponível para planos Pré-Pago, Controle e Pós-Pago, com validação por reconhecimento facial.
A TIM liberou a transferência e a conversão de chip pelos Ajustes do iPhone com a chegada do iOS 18. Hoje ela é a operadora que mais avançou na troca entre sistemas, como você vai ver logo adiante.
Transferir eSIM para outro Android
No Android, tudo depende mais da marca, da versão do sistema e da operadora. O Google e a Samsung têm ferramentas próprias, mas elas só funcionam quando a operadora dá suporte. Por isso o mesmo aparelho pode fazer a transferência rápida em uma operadora e não em outra.
No Google Pixel e em outros aparelhos com a ferramenta do Google, o caminho é Configurações > Rede e Internet > SIMs > Adicionar SIM > Transferir chip de outro dispositivo. Muitas vezes a opção já aparece durante a configuração inicial do celular novo.
No Samsung Galaxy, abra Configurações > Conexões > Gerenciador de chip, toque em Adicionar eSIM e escolha a opção de transferir de outro dispositivo. Os nomes mudam um pouco conforme a versão da One UI, então, se não achar, digite SIM ou chip na busca das Configurações.
Entre as operadoras, a Vivo lançou com o Google uma transferência nativa entre celulares Android que dispensa QR Code e contato com a central. Já a TIM permite, em celulares Motorola compatíveis, que o aparelho antigo leia um QR Code exibido no novo para concluir a troca. Em outras marcas e operadoras, o caminho mais garantido continua sendo pedir um novo eSIM pelo app ou pela loja.
Em alguns casos, principalmente entre sistemas diferentes, a própria transferência rápida mostra um QR Code na tela. Não confunda com o QR Code que a operadora envia. Esse é gerado na hora, pelo próprio processo de transferência.
Do iPhone para o Android e do Android para o iPhone
Até pouco tempo, trocar de sistema obrigava a falar com a operadora. Isso começou a mudar em 2026. A TIM se tornou a primeira operadora da América do Sul a liberar a transferência digital de eSIM entre Android e iPhone, nos dois sentidos. Nesta primeira fase, o recurso funciona em iPhones com iOS 26.5 ou superior e em celulares da Motorola, com expansão prevista para outros fabricantes. Os aparelhos precisam estar próximos, e um PIN aparece na tela para confirmar a operação.
Para clientes de outras operadoras ou com aparelhos fora dessa lista, o roteiro continua o mesmo de sempre. Peça um novo eSIM para o celular novo pelo app, pela central ou na loja. Instale o perfil com o QR Code ou com a ativação enviada pela operadora. Faça uma ligação, mande um SMS e abra um site com o Wi-Fi desligado. Na maioria dos casos, o perfil antigo é desativado sozinho assim que o novo começa a funcionar.
WhatsApp, banco e códigos por SMS
No Brasil, a vida inteira passa pelo celular, e é aqui que muita gente se complica depois da troca. O eSIM leva só a sua linha. Ele não leva conversas, fotos, contatos ou aplicativos.
Antes de começar, faça o backup do WhatsApp pelo próprio aplicativo. Depois que a linha estiver ativa no aparelho novo, instale o WhatsApp, confirme o número com o código que chega por SMS e restaure as conversas.
Com os apps de banco, a regra é parecida. Muitos bancos pedem uma nova validação do aparelho, às vezes com selfie ou código por SMS. Faça isso com calma, em casa e com o celular antigo por perto. Se você usa um aplicativo autenticador para senhas de outros serviços, transfira essas contas separadamente antes de resetar o aparelho velho.
E o eSIM de viagem?
Aqui mora a pegadinha. A sua linha da Claro, da Vivo ou da TIM está atrelada ao seu cadastro, então a operadora consegue levá-la de um aparelho para outro. Um eSIM pré-pago de dados para viagem segue outra lógica.
Muitos fornecedores de eSIM de viagem só permitem uma instalação. Se você apagar o eSIM para instalar em outro celular, perde o plano e os dados que sobraram. Alguns até analisam pedidos pelo suporte, mas não dá para contar com isso.
Pense numa situação comum. Você vai para Orlando em julho, já comprou o eSIM de dados e aproveita uma promoção para trocar de iPhone poucos dias antes do embarque. O certo é instalar o eSIM de viagem direto no aparelho novo, e não no que vai ficar na gaveta. Se ele já estava no celular antigo e a troca acontecer no meio da viagem, leve o aparelho antigo na mochila. Os dados continuam funcionando nele, e você pode dividir a internet com o novo pelo roteador pessoal até o plano acabar.
E nunca apague um eSIM de viagem para organizar a tela enquanto ainda houver dias de validade ou gigas sobrando.
Quando a linha não ativa
Os problemas costumam se repetir, e a maioria tem solução rápida.
A opção de transferir não aparece. A operadora não liberou a transferência direta para a sua linha ou o seu modelo. Peça um novo eSIM pelo canal oficial.
A ativação fica travada. Deixe o celular no Wi-Fi por uns quinze minutos e reinicie. Às vezes a operadora demora um pouco mais para processar a troca.
O eSIM aparece instalado, mas sem sinal. Instalar o eSIM e ter serviço ativo são coisas diferentes. Confira nos ajustes se a linha está ligada e definida para chamadas e dados móveis.
As ligações funcionam, mas a internet não. Revise os dados móveis dessa linha. Se você estiver no exterior com um eSIM de viagem, ative o roaming de dados nele, porque muitos precisam disso para se conectar à rede local.
O celular antigo perdeu a linha e o novo não recebeu. Fale com a operadora o quanto antes. Ela consegue enviar um novo perfil para o aparelho na hora.
Trocar de celular perto de uma viagem
Se o celular novo vai estrear numa viagem, faça a transferência alguns dias antes, e não na manhã do voo. Assim sobra tempo para resolver qualquer problema com a operadora sem correria no aeroporto.
Chegar com o celular funcionando faz diferença logo no desembarque. Quem pousa no aeroporto MCO, por exemplo, precisa de internet para avisar a família, abrir o mapa do hotel e falar com quem vai buscar. Se você reservou com a Transpovia um transfer privativo do aeroporto ou um carro particular com motorista, ele pode precisar entrar em contato quando você sair da área de bagagens. Com a linha transferida certinho ou um eSIM de dados pronto no aparelho novo, você responde na hora, sem ficar caçando Wi-Fi no saguão.
Perguntas frequentes
Dá para transferir o eSIM se o celular antigo foi roubado ou quebrou?
Dá, no caso da sua linha principal. A transferência rápida precisa do aparelho antigo para confirmar a troca, então o caminho é pedir um novo eSIM à operadora pelo app, pela central ou em uma loja, com validação de identidade. Em caso de roubo, bloqueie a linha antes. Já com eSIM de viagem pré-pago, a recuperação raramente é possível, e o mais comum é precisar comprar um plano novo.
A transferência de eSIM tem custo?
A transferência rápida entre aparelhos compatíveis não tem custo nas operadoras que oferecem o recurso. Quando é preciso emitir um novo eSIM por outro canal, as condições podem variar conforme a operadora e o plano. Vale conferir no app antes de fazer o pedido.
Posso usar o mesmo eSIM em dois celulares ao mesmo tempo?
Não. Um perfil de eSIM funciona em um aparelho por vez, e a transferência desativa a linha no celular antigo. Para ter conexão em dois aparelhos, como um relógio ou um tablet, é preciso contratar um serviço específico da operadora, quando ele existir para o seu plano.
Conclusão
O segredo para transferir o eSIM sem susto é seguir a ordem certa. Confira se o celular novo é compatível e desbloqueado, comece a transferência pelo aparelho novo e só mexa no antigo quando a linha já estiver funcionando. Se a transferência rápida não estiver disponível, um novo eSIM pedido à operadora leva você ao mesmo resultado.
Com eSIM de viagem, o raciocínio é outro, porque ele quase nunca muda de aparelho. Instale no celular que vai viajar com você e guarde o antigo se a troca acontecer no caminho. E para a chegada ser tão tranquila quanto a troca de celular, vale deixar o transfer do aeroporto reservado com a Transpovia antes de embarcar.
"Fiz a transferência na noite anterior ao voo, sentada no sofá. Em cinco minutos a linha já estava no celular novo e eu nem precisei ligar para a operadora."

