Na véspera da viagem a dúvida sempre aparece. A mala pequena está aberta na cama, a roupa não cabe, o secador de cabelo ficou de fora e você começa a pensar se vale a pena pagar pela mala grande. Bagagem de mão ou despachada parece uma escolha simples, mas ela mexe no preço da passagem, no tempo que você passa no aeroporto e no que pode levar com você. Neste guia você entende as regras de cada uma no Brasil e no exterior, o que a ANAC garante ao passageiro e como decidir de acordo com o tipo de viagem.
O que separa a mala de mão da mala despachada
A bagagem de mão viaja com você na cabine. Ela vai no compartimento acima do assento ou embaixo da poltrona da frente, e você tem acesso a ela durante todo o voo. A bagagem despachada é entregue no balcão de check-in ou num totem de autoatendimento, viaja no porão do avião e só volta para suas mãos na esteira do desembarque.
Essa diferença puxa todas as outras. A mala de mão passa pelo raio X da inspeção de segurança e segue regras mais rígidas para objetos cortantes e, em voos internacionais, para líquidos. Ela também é menor e tem limite de peso. A mala despachada aceita muito mais volume, mas costuma ser cobrada à parte e fica longe de você durante toda a viagem.
Tem ainda um detalhe que pesa no dia a dia. Quem viaja só com mala de mão desce do avião e já vai embora. Quem despacha precisa passar pela esteira, o que às vezes leva bem mais tempo do que parece, principalmente em voos internacionais. Se você gosta de ter tudo sob controle antes de sair de casa, o nosso checklist de viagem de avião ajuda a conferir documentos, malas e horários.
Regras para bagagem de mão em voos nacionais
Mala de mão e item pessoal
Pela Resolução nº 400 da ANAC, em voos domésticos o passageiro tem direito a levar até 10 kg de bagagem de mão sem custo extra. Além da mala, cada passageiro pode levar um item pessoal, como uma bolsa, uma mochila pequena ou a capa do notebook, desde que caiba embaixo do assento da frente.
As medidas ficam por conta de cada companhia aérea. Nas principais empresas brasileiras o padrão mais comum gira em torno de 55 x 35 x 25 cm, com rodinhas e alças incluídas. Os gabaritos de medição no portão de embarque estão cada vez mais presentes, e a fiscalização ficou mais rigorosa nos últimos anos. Mala fora do padrão pode ser despachada com cobrança.
Vale lembrar que, quando a cabine está cheia, a companhia pode pedir que a sua mala vá para o porão. Se ela estiver dentro das regras, esse despacho é gratuito. Por isso o item pessoal faz tanta diferença. É nele que devem ficar documentos, remédios, carregador e o que você vai usar no voo.
Líquidos em voos dentro do Brasil
Esse é um ponto que confunde muita gente. A regra dos frascos de 100 ml vale para voos internacionais. Em voos domésticos ela não se aplica do mesmo jeito, e você pode levar itens de higiene em tamanho normal na mala de mão. Produtos inflamáveis continuam proibidos, e aerossóis seguem limites próprios de quantidade.
Bebidas alcoólicas também têm regra própria em voos nacionais. O padrão das companhias é permitir até 5 litros por passageiro, com teor alcoólico entre 24% e 70%, em embalagens fechadas de no máximo 1 litro cada.
Atenção a um detalhe que pega muita gente de surpresa. Se o seu voo nacional sai de uma área de embarque internacional, por exemplo porque você vai fazer conexão para fora do país, as restrições de líquidos dos voos internacionais passam a valer para você.
Quando a viagem é internacional
A regra dos 100 ml
Em voos internacionais, todos os líquidos, géis, cremes, pastas e aerossóis da mala de mão precisam estar em frascos de até 100 ml. Todos eles devem caber numa embalagem plástica transparente e fechada, com capacidade de até 1 litro e cerca de 20 x 20 cm. Essa regra está na Resolução nº 515 da ANAC e segue o padrão adotado em boa parte do mundo.
O que vale é a capacidade do frasco, não a quantidade que sobrou dentro. Um protetor solar de 200 ml quase vazio fica no raio X do mesmo jeito que um cheio. Requeijão, doce de leite, pasta de amendoim e o perfume que você comprou para dar de presente também entram na conta.
Há exceções. Remédios líquidos com receita médica, alimentação de bebê e produtos para dietas especiais podem passar em maior quantidade. As compras do free shop também passam, desde que continuem na sacola lacrada da loja com o comprovante.
A cobrança da mala de mão em rotas internacionais
Fora do Brasil, a mala de mão gratuita deixou de ser garantia em algumas tarifas. Em 2026, a LATAM já cobrava pela mala de cabine nas tarifas mais baratas de voos internacionais, a GOL anunciou que faria o mesmo e a Azul informou que não cobraria. O tema chegou ao Congresso, onde projetos de lei discutem garantir a gratuidade da mala de mão também nesses voos, e as regras ainda podem mudar.
Na prática, antes de comprar uma passagem internacional, confira com calma o que a tarifa inclui. O preço mais baixo pode sair caro se você precisar pagar pela mala no aeroporto.
Regras para bagagem despachada
Franquia, peso e cobrança
Desde 2017, com a Resolução nº 400 da ANAC, as companhias aéreas podem cobrar pela bagagem despachada. Por isso muitas tarifas básicas não incluem nenhuma mala no porão. Quando a franquia está incluída ou é comprada à parte, o limite mais comum em voos nacionais é de 23 kg por mala. Passou disso, a companhia cobra pelo excesso de peso.
Comprar a bagagem despachada no momento da compra da passagem ou pelo site antes do voo costuma sair mais barato do que pagar no balcão do aeroporto. Equipamentos esportivos, como prancha de surfe, bicicleta e tacos de golfe, seguem regras e preços próprios. Carrinho de bebê e cadeirinha normalmente viajam no porão sem custo.
Baterias e power banks ficam fora do porão
Baterias externas e baterias de lítio avulsas são proibidas na mala despachada e precisam viajar na cabine. As regras ficaram mais duras em 2026. A Organização da Aviação Civil Internacional passou a limitar em duas o número de power banks por passageiro, e em maio de 2026 o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou regras no mesmo sentido para o Brasil, com até duas baterias de até 100 Wh por pessoa, proibição de recarregá-las nas tomadas do avião e de guardá-las no bagageiro de cima. Se a sua mala de mão for despachada no portão, tire as baterias dela antes de entregar.
O que nunca colocar na mala despachada
Malas despachadas às vezes atrasam ou se extraviam, principalmente em viagens com conexão. Por isso alguns itens devem ficar sempre com você.
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Remédios, especialmente os de uso diário
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RG, passaporte e documentos da viagem
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Notebook, tablet, câmera e outros eletrônicos
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Joias, dinheiro e objetos de valor
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Chaves de casa e do carro
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Uma muda de roupa para o caso de a mala atrasar
O porão, por outro lado, é o lugar certo para o xampu de tamanho normal, os produtos de higiene em embalagens maiores e os objetos permitidos que não podem subir para a cabine.
Se a mala não aparecer na esteira
Não saia da área de restituição de bagagens. Procure o balcão da companhia aérea e registre o problema no Registro de Irregularidade de Bagagem, o RIB. Guarde o número do protocolo, porque ele vai ser usado em qualquer reclamação.
Pela Resolução nº 400, a companhia tem até 7 dias para devolver a bagagem em voos nacionais e até 21 dias em voos internacionais. Se você estiver fora da sua cidade, a empresa também deve cobrir despesas emergenciais, como roupa e itens de higiene. Guarde todas as notas fiscais. Uma foto da mala antes do check-in e uma etiqueta com seu telefone dentro dela ajudam bastante na busca.
Bagagem de mão ou despachada, como decidir
Não existe resposta única. O tipo de viagem quase sempre decide por você.
Ponte aérea a trabalho. Uma reunião no Rio com volta no mesmo dia pede só mala de mão, ou nem isso. Você desembarca no Santos Dumont e vai direto para o compromisso.
Férias em família no Nordeste. Com roupa de praia, protetor solar, brinquedos e a necessaire de todo mundo, despachar costuma valer a pena. Tentar enfiar tudo em malas de mão vira estresse no embarque.
Inverno na Serra Gaúcha. Casacos, botas e roupas grossas ocupam muito espaço. Para Gramado ou Canela no frio, a mala despachada quase sempre faz sentido.
Viagem de compras para Orlando. Quem vai às compras na Flórida costuma voltar com muito mais do que levou. Saia com uma mala despachada meio vazia, ou com uma bolsa dobrável na mala de mão. Na chegada a MCO, a esteira vai fazer parte do roteiro de qualquer jeito.
Conexão apertada. Cada escala aumenta um pouco o risco de a mala despachada não chegar junto com você. Se o tempo entre os voos é curto, viajar só com mala de mão reduz esse risco.
Se esta é a sua primeira vez no aeroporto, vale entender com calma cada etapa, do check-in ao portão de embarque. Escolher bem a bagagem já tira metade da ansiedade do dia.
Do desembarque até o destino, a mala também conta
Quase todo conteúdo sobre bagagem para no portão de embarque. Só que a sua escolha vai junto com você até a calçada do aeroporto.
Quem despacha mala não termina a viagem quando o avião para. Ainda tem a espera na esteira, que às vezes leva dez minutos e às vezes bem mais depois de um voo internacional ou num feriado prolongado. Esse tempo extra atrapalha quando alguém marcou de te buscar num horário fixo ou quando você depende de um ônibus executivo com saída marcada.
O número de malas também define o carro que você precisa. Um casal com duas malas de mão cabe em qualquer veículo. Uma família de cinco com duas malas de 23 kg, carrinho e cadeirinha não cabe num táxi comum, e descobrir isso no ponto de táxi de Guarulhos depois de uma noite inteira de voo não é nada agradável.
Por isso muita gente já sai de casa com o transfer privado reservado. Você escolhe um veículo com espaço para todos os passageiros e todas as malas, e o motorista acompanha o horário do voo para esperar você no saguão de desembarque, mesmo que a bagagem demore para sair. Ao reservar um transfer privado de aeroporto pela Transpovia, informar quantas pessoas vão e quantas malas vocês levam ajuda a garantir que o carro tenha espaço de verdade.
Na ida a lógica é a mesma. Um carro que busca você na porta de casa e deixa na frente do terminal torna a mala despachada muito mais tranquila, sem precisar arrastar 23 kg por estação de trem ou ponto de ônibus.
Perguntas frequentes
Posso levar mala de mão e mochila ao mesmo tempo?
Pode. Em voos nacionais, além da mala de até 10 kg, você tem direito a um item pessoal, como uma mochila pequena ou uma bolsa, que precisa caber embaixo do assento da frente. Em voos internacionais com tarifas mais baratas, confira antes se a mala de cabine está incluída.
O que acontece se a minha mala de mão passar do peso ou das medidas?
A companhia aérea pode exigir que ela seja despachada e cobrar por isso no portão de embarque. Essa cobrança costuma ser mais cara do que comprar a bagagem antes. Pesar e medir a mala em casa, já com tudo dentro, é a forma mais simples de evitar o problema.
Posso levar líquidos na bagagem despachada?
Pode. Na mala despachada não existe a regra dos 100 ml, então xampu, cremes e garrafas de tamanho normal podem ir no porão. Produtos inflamáveis e outros artigos perigosos continuam proibidos, e vale embalar bem as garrafas para evitar vazamentos.
Conclusão
A diferença entre bagagem de mão e bagagem despachada começa no lugar onde a mala viaja, e isso muda todo o resto. Define o que você pode levar, quanto vai pagar, quanto tempo passa no aeroporto e com que rapidez sai dele. A mala de mão traz agilidade e controle. A despachada traz espaço e menos restrições.
Antes do próximo voo, confira o que a sua tarifa inclui, meça a mala já cheia e mantenha com você tudo o que não pode se perder. E pense um passo além do desembarque. Saber quantas malas você vai levar ajuda a reservar com a Transpovia um transfer privado do tamanho certo e começar a viagem com calma.
Despachamos três malas, o carrinho e a cadeirinha, e eu estava com medo da chegada. O motorista já esperava no desembarque com uma van onde coube tudo, e as crianças dormiram antes de chegar ao hotel.

